sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Bento XVI sobre ecumenismo: juntos somos rosto e força de Cristo



Cidade do Vaticano (RV) - A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – que no Brasil se celebra entre Ascensão e Pentecostes – inicia-se nesta sexta-feira no hemisfério norte. A edição este ano tem como tema "O que o Senhor exige de nós", extraído do livro do Profeta Miquéias.

Desde o início de seu Pontificado, Bento XVI colocou o diálogo ecumênico entre as prioridades de seu ministério e em muitas circunstâncias as suas palavras expressaram com vigor o desejo de que todos os fiéis em Cristo reencontrem a unidade da primeira hora da Igreja. A esse propósito, aproveitamos a ocasião para recordar algumas afirmações do Santo Padre.

A unidade da Igreja nasce à distância de poucas horas de seu fim aparente. Nasce no Cenáculo – naquela esplêndida, intensa oração de Jesus que confia os Apóstolos ao Pai – e parece destruída pouco depois, quando o autor da oração pende crucificado no Gólgota.

Entre o Getsêmani e o Calvário os Apóstolos renegam, fogem, se dão por vencidos. E naquela dispersão parece espreitar o sinal daquilo que nos séculos vindouros seria da comunidade cristã, criada no sangue de um Deus morto e ressuscitado, mas incapaz de permanecer unida como o seu Artífice a havia pensado e abençoada.

Refletindo sobre os primeiros anos do cristianismo, Bento XVI observou, numa ocasião, a intervenção que São Paulo foi obrigado a fazer já no tempo dos primeiros fiéis de Corinto:

"De fato, o Apóstolo soubera que na comunidade cristã de Corinto havia nascido discórdias e divisões. Por isso, com grande firmeza, acrescenta: 'Cristo estaria dividido?' (1 Cor 1,13). Desse modo, ele afirmava que toda divisão na Igreja é uma ofensa a Cristo; e, ao mesmo tempo, que é sempre n'Ele, único Cabeça e Senhor, que podemos reencontrar-nos unidos, pela força inesgotável de sua graça." (Angelus, 23 de janeiro de 2011)

A tentação da discórdia é realmente antiga, mesmo entre quem foi criado para ser uma só coisa. E a conseqüência daquela "ofensa a Cristo" – evidenciou o Papa mais vezes – é que a divisão entre os cristãos é muitas vezes uma tela escura que não deixa transparecer plenamente a presença de Deus para o restante da humanidade:

"O mundo sofre pela ausência de Deus, por causa da inacessibilidade de Deus, deseja conhecer o rosto de Deus. Mas como os homens de hoje poderiam e podem conhecer esse rosto de Deus no rosto de Jesus Cristo se nós cristãos somos divididos, se um ensina contra o outro, se um está contra o outro? Somente na unidade podemos mostrar realmente a este mundo – que tem necessidade – o rosto de Deus, o rosto de Cristo." (Audiência geral, 23 de janeiro de 2008)

E rezar juntos é o primeiro e mais imediato modo de testemunhar a unidade entre cristãos divididos:

"Na oração comum as comunidades cristãs colocam-se juntas diante do Senhor e, tomando consciência das contradições geradas pela divisão, manifestam a vontade de obedecer à sua vontade recorrendo confiantes ao seu socorro onipotente. (...) Portanto, a oração comum não é um ato voluntarista ou puramente sociológico, mas é expressão da fé que une todos os discípulos de Cristo." (Audiência geral, 23 de janeiro de 2008)

Oração, certamente, mas não só, para não ser címbalos que tocam. É necessária também a ação, a ação da caridade. E foi o que o Santo Padre sempre auspiciou do diálogo ecumênico. Colocar ao lado da oração também gestos concretos de partilhada solidariedade:

"Isso favorece o caminho da unidade, porque se pode dizer que todo alívio, mesmo pequeno, que os cristãos dão juntos ao sofrimento do próximo, contribui para tornar mais visível também a sua comunhão e a sua fidelidade ao mandamento do Senhor.

FONTE: Rádio Vaticano

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