segunda-feira, 17 de setembro de 2012

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Mortalidade materna

Entre as sugestões aos candidatos que disputam a(s) prefeitura(s), as igrejas cristãs defendem a qualificação da saúde da gestante e do nascituro, evitando o aborto e a mortalidade infantil e maternal. A política pública nesta área pode contar com a experiência exitosa da Pastoral da Criança que celebra 25 anos de presença na Paraíba.

O recente relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Fundo de População das Nações Unidas e do Banco Mundial revela que, de 1990 a 2010, as mortes maternas diminuíram de 120 para 56, por 100 mil nascimentos (51%)! A OMS considera “morte materna” o óbito de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o parto. As causas variam, entre os fatores relacionados e agravados pela gravidez, ou por medidas tomadas em relação a ela. Não são consideradas, no caso, mortes provocadas por fatores acidentais. Não é legítimo afirmar que todas as mortes sejam causadas por práticas de aborto.
Entre as “Metas do Milênio” promulgadas pela ONU, a redução da mortalidade materna deve atingir, até 2015, a meta de (ao menos) 35 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos. O Brasil mostra progressos nesta importante meta de saúde da mulher. De acordo com dados recentes do Ministério da Saúde, de 1990 a 2010, a taxa caiu de 141 para 68 mortes de mulheres para 100 mil nascidos vivos. Essa taxa ainda deve ser trabalhada pela erradicação da mortalidade maternal. Note-se que, não obstante o relatório da OMS considerar positiva a posição do Brasil, nós precisamos avançar na qualidade de vida da mulher para cumprir a Meta do Milênio proposta pela ONU. Essa meta diz respeito à proteção à vida da gestante e do nascituro, da mãe e da criança.
A Pastoral da Criança dá máxima importância ao aleitamento materno para a vida saudável do bebê e da própria mãe, pois que, se nos quatro primeiros meses faltar o leite materno para o bebê, todo o seu desenvolvimento ficará comprometido. Será muito difícil articular o seu sistema cerebral com suas atividades produtivas. Isto significa que, sem uma quantidade suficiente do leite materno nos primeiros meses de vida, a criança pouco aprenderá. Seu raciocínio será lento e suas atividades estarão sujeitas a retardamentos. Pelo resto da vida adulta o seu sistema imunológico ficará fragilizado. Essa limitação pode e deve ser evitada para qualquer ser humano! A amamentação traz grande prazer para a mãe e para o bebê. Neste momento, a mãe transmite o seu afeto gerador de segurança para o bebê, transmitindo-lhe sentimento de pertença. O calor humano desejado pela criança é o mesmo da mãe, doando-se toda ao filho.



Dom Aldo Di Cillo Pagotto é Arcebispo da Arquidiocese da Paraíba.

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