terça-feira, 25 de setembro de 2012

Arcebispo visita Hospital Walfredo Gurgel

O Arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, acompanhado dos Padres João Batista Rocha e João Maria do Nascimento, fez visita ao Hospital Walfredo Gurgel, no final da manhã de hoje, 25 de setembro, para conhecer, in loco, a realidade do atendimento e das condições de trabalho naquela casa de saúde. Foi recebido pela Diretora, Fátima Pinheiro, que mostrou ao Arcebispo a situação precária de atendimento, na unidade de emergência. A constatação é estarrecedora: macas nos corredores, com pacientes a espera de procedimento médico, UTIs e enfermarias lotadas. “Há pacientes que estão nos corredores há vários dias, a espera de uma vaga para fazer o procedimento médico”, afirmaram médicos do Hospital. Dom Jaime, ao falar com médicos e com a Diretora, Fátima Pinheiro, se solidarizou com eles e com os pacientes. No final, deu uma bênção aos médicos, enfermeiros, funcionários e pacientes, rogando a Deus por todos – médicos, enfermeiros, funcionários e pacientes.
Sinal de Esperança
Em meio a tanto sofrimento e desespero, um sinal de esperança é visto dentro do Walfredo Gurgel: o trabalho da professora Maria de Fátima, dando aulas às crianças que passam dias internadas em tratamento médico, para que não percam o ano escolar. “Eu peço o currículo da Escola da criança e dou aulas para que não se atrasem na Escola, ao retornarem para casa”, disse a professora. Orgulhosa do trabalho que realiza, levou Dom Jaime e os dois padres para conhecerem a sala e o material didático que utiliza. Recebeu os parabéns de todos.
Foto: José Bezerra
Pacientes, deitados em macas, lotam corredores do Hospital
Como anda a análise do projeto de reforma do Código Penal?
25/09/2012
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Já tramita no Senado o projeto de reforma do Código Penal Brasileiro. A proposta foi entregue à casa em junho deste ano e agora está na fase de análise das emendas. Porém, o teor dessas análises pouco tem sido discutido entre a população, uma vez que, no Brasil, grande parte das atenções está voltada para o período eleitoral.

O projeto de reforma do Código contém aspectos polêmicos, como a proposta de aumentar os casos de permissividade do aborto. Quanto a isso, o doutor em Direito e presidente da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp), Ives Gandra Martins, informou que o Código está numa fase de apresentação de emendas e que o grupo de juristas católicos vem tentando combater tais questões.

— Nós mesmos, pela União dos Juristas Católicos de São Paulo, apresentamos, junto com os juristas do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, diversas emendas através da senadora Maria do Carmo Alves. Nelas, temos combatido o problema do aborto, da eutanásia e da descriminalização das drogas, disse.

Para Gandra, a condução dos debates acerca desses temas deve envolver forte pressão junto aos senadores para que eles não aprovem estes pontos.

Embora já esteja em análise há três meses, o doutor em direito destacou que há muitas contradições em meio às propostas. Ele acredita que a aprovação da matéria não deve acontecer ainda este ano.

— É um Código cheio de evidentes contradições e tudo isso nós pusemos e a senadora Maria do Carmo Alves já levou para o Senado. Agora, está em compasso de discussão. Deverá, certamente, ter audiências públicas e a impressão que eu tenho é que a matéria vai ficar para o ano que vem .

Uma dessas contradições, segundo Gandra, é o tratamento diferenciado que se pretende dar ao abandono de animais e à questão do aborto. Enquanto para o primeiro caso estão previstas penalidades, não serão punidos alguns casos de aborto, por exemplo.

— O tratamento dos animais também é um tratamento que será feito com penalidades a quem abandonar animais e quem destruir embriões ou ovos de tartaruga, mas quem destruir seres humanos no ventre materno, esse não terá pena nenhuma, salientou.

Todas essas propostas vêm sendo analisadas de acordo com o seguinte cronograma: de 9 de agosto a 5 de setembro, apresentação de emendas; de 6 a 20 de setembro, relatórios parciais; de 21 a 27 de setembro, relatório do Relator Geral; de 28 de setembro a 4 de outubro, parecer final da Comissão.

Porém, estes prazos têm sido alvo de críticas. O Cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, em artigo de sua autoria, indagou se este não é um assunto para ser resolvido com mais calma.

Gandra destacou que o Código tem inúmeros dispositivos e por isso deve ser muito discutido, principalmente com o povo, e não “pretender a aprovação a ‘toque de caixa’”. Ele têm dúvidas quanto ao real cumprimento desse cronograma.

— Esses prazos deverão não ser cumpridos, porque não há como cumpri-los. O Senado vai começar a se reunir após as eleições municipais. No momento, poucos senadores estão comparecendo. As emendas já foram apresentadas, mas eu duvido que isso possa ser aprovado ainda este ano.

As discussões das propostas não se restringem ao âmbito político, a participação popular também deve ser considerada. Porém, o doutor em Direito acredita que o fato das atenções estarem voltadas para a eleição próxima, em 7 de outubro, possivelmente atravancou a participação do povo nas questões referentes ao Código.

— Pode ser, porque se conversa-se com o pessoal, poucos sabem o que contém o Código Penal. (...) O receio que eu tenho é de que o povo em si, a quem o Código Penal será aplicado, este povo não saiba o que seus representantes estão aprovando, ressaltou.

Como próximos passos, Gandra informou que deve ser criada uma comissão especial para examinar as emendas apresentadas. Depois, essas emendas serão levadas a plenário e julgadas.
* Foto: Canção Nova
Por que a Igreja não indica nenhum candidato?
25/09/2012
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A pergunta, que pode surgir em época de eleições, tem resposta clara. O secretário-executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Pedro Gontijo, explica que a missão da Igreja é a de universalizar sua mensagem; portanto, ela não quer que apenas um partido ou um candidato seja expressão da mensagem. Segundo ele, a mensagem do Evangelho ultrapassa um partido ou uma coligação.

— Nós queremos que todos os partidos defendam princípios que sejam norteados pela defesa da vida, pelo fim da desigualdade, pela igualdade de condições sócio-econômicas, por transparência no estado. Esses princípios deveriam ser norteadores, na nossa avaliação, por candidatos de quaisquer partidos e coligações.

O fato de escolher um candidato ou partido implicaria em dizer que só aquele teria condições de cumprir esses princípios e os outros não.

Contudo, o secretário destaca que "boa parte dos partidos poderiam estar dentro da defesa desses princípios que deveriam ser, mais ou menos, comuns".

— A Igreja quer convidar que todos reflitam sobre esses princípios éticos, que devem nortear a vida pública de qualquer mandatário, de qualquer pessoa que está num cargo público, para que, independente de partido, vivenciem esses valores, enfatiza Gontijo.

Votos Brancos e Nulos

Muitos acreditam que ao votar branco ou nulo estão se esquivando da responsabilidade de ter que optar por candidatos com os quais não concordam ou mesmo que estariam expressando sua inconformidade com a realidade política.

— De fato, quando o voto branco ou nulo é feito de uma forma coletiva e organizada pode significar uma espécie de manifestação, seja com a estrutura social, política ou com os candidatos que se apresentaram, explica Pedro Gontijo.

Entretanto, é preciso entender que essa "manifestação" só seria significativa se acontecesse de forma massiva, em grande número, para os cargos majoritários, como é o caso de prefeito, nessas eleições.

Se o número de votos brancos ou nulos é pequeno, não interfere no resultado da eleição e acaba contribuindo para aquele que tem mais votos. Principalmente na escolha dos candidatos ao legislativo.

— Voto branco ou nulo, ao votar para vereador, acaba sendo um voto que contribui para que aqueles que estão tendo mais votos, os partidos e coligações que estão tendo mais votos, sejam beneficiados, alerta o secretário.

De modo geral, ressalta Gontijo, voto branco ou nulo não contribui para a melhor escolha de candidatos que venham depois a fazer um trabalho mais sério em favor da comunidade.

— Voto branco e nulo não nos parece, hoje, uma estratégia de participação consciente. Nos parece muito mais importante que as pessoas votem e acompanhem aqueles aos quais votou. Que elas façam o acompanhamento do mandato, conclui o secretário.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Educação e ensino

A seguir, uma análise da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e de como ela enxerga (por vezes, limita) o nosso desenvolvimento educacional.

1. Confusões conceituais
Na cabeça da maior parte das pessoas há certa confusão acerca da educação e do ensino. Essa confusão afeta nosso entendimento não só desses conceitos, mas também do papel da escola, da importância da educação não-formal, extraescolar, e do ofício dos professores.
A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) é vítima dessa confusão. O primeiro artigo, com seus dois parágrafos, parece, entretanto, evidenciar certa preocupação em evitar confusão. A educação, diz o caput do artigo, abrange “processos formativos” – nenhuma explicação sobre o que é um processo formativo, mas deixemos isso de lado por enquanto – que se desenvolvem:
  • na convivência humana
  • na vida familiar
  • no trabalho
  • nas organizações da sociedade civil
  • nos movimentos sociais
  • nas manifestações culturais
  • nas instituições de ensino e pesquisa
Inverti a ordem de alguns itens; coloquei “convivência humana” em primeiro lugar e “instituições de ensino” no fim, apenas para destacar o fato de que, segundo a própria lei que regulamenta a educação no país, a educação se dá nos “processos formativos” que acontecem basicamente em qualquer lugar em que as pessoas convivam umas com as outras (presencial ou virtualmente).
Os itens 2 a 4 seriam plenamente dispensáveis, porque a família, o trabalho, os movimentos sociais e as organizações da sociedade civil são, sem exceção, espaços de convivência humana. (Faltou destacar, quem sabe, a igreja. Na educação, formal ou não-formal, ela tem tido um papel maior do que outras “organizações da sociedade civil”, como sindicatos e ONGs.)
O quinto item – “manifestações culturais” – parece apontar para espaços de convivência diferenciados, em grande parte virtuais: o livro, o jornal, as revistas, o rádio, o cinema, a televisão, a internet. Por vim, vem a escola e, enfim, começamos a ver que a coisa é meio complicada. E vai ficar mais ainda.
O primeiro parágrafo da LDBEN coloca: “Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.” Ou seja: no caput do primeiro artigo, a LDBEN chama a nossa atenção para a natureza ampla e rica do fenômeno educacional, para, em seguida, no parágrafo primeiro, esclarecer que restringirá o tratamento desse fenômeno, preocupando-se apenas com a educação escolar – aquela que se desenvolver em escolas (“instituições próprias”), por meio do ensino. Trocando em miúdos: com uma fração daquilo que contempla o conceito mais amplo e mais rico de Educação.

Se nos lembrarmos de que a educação escolar acontece no máximo até os 30 anos de vida das pessoas, em regra não passando dos 17 ou 18 anos (fim do Ensino Médio) para a maioria das pessoas, e que a educação não-escolar acontece ao longo da vida inteira, teremos uma importante razão para perguntar por que a LDBEN se preocupa apenas com uma pequena fração daquilo que devemos considerar como educação tout court. É uma pena. Mas, se é assim, por que a lei se designa como uma regra que fixa diretrizes e bases para a “educação nacional”? Deveria, me parece evidente, descrever-se (como diz no parágrafo primeiro) como uma lei para a “educação escolar”, ou simplesmente para o “sistema de ensino nacional”.
O parágrafo seguinte do primeiro artigo complica ainda mais as coisas ao determinar que “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. Como deve a educação escolar vincular-se ao mundo do trabalho? Ela deve ser profissionalizante? Ou deve incluir apenas uma simbólica “orientação para o trabalho” (como leis anteriores sugeriam)? E o que, afinal das contas, é “prática social”? Se for algo abrangente, equivalente a “vida”, o que faz o “social” na frase, qualificando a prática?
Bom, não vou fazer uma análise da LDBEN inteira. Só vou pegar mais uma inconsistência conceitual.
Eis o que diz o Art. 21, que trata dos “níveis escolares”:
“A educação escolar compõe-se de:
I – educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio;
II – educação superior.”
Alguém sabe por que, apesar de os dois níveis em que se divide a educação escolar serem chamados de “Educação Básica” e “Educação Superior”, a primeira é formada pela Educação Infantil, pelo Ensino Fundamental e pelo Ensino Médio?
Difícil de entender, não é mesmo? Alguém pode ter uma explicação melhor do que desleixo conceitual, mas eu confesso desconhecê-la. Recebi uma sugestão de que talvez seja porque, no caso da Infantil e da Superior, trata-se de algo mais interessante, por isso considerado educação, enquanto que no caso do Fundamental e do Médio, trata-se de algo chatíssimo, por isso considerado ensino… Mas creio que os legisladores prefeririam se considerar vítimas de desleixo conceitual a admitirem que boa parte daquilo que é coberto na lei é tido como algo extremamente chato pelas “vítimas” do processo…
Mais uma observação: a lei fala em “Ensino Médio”, mas quando trata, de forma abrangente, da etapa que vem depois do Ensino Fundamental, refere-se também a “Educação Profissional Técnica de Nível Médio”. Será que aquilo que acontece na Escola de Nível Médio, quando regular, é mero “Ensino”, mas, quando técnico, se torna “Educação Profissional”?
E o que dizer da “Educação de Jovens e Adultos”, que a lei introduz mais adiante? Será que o Ensino Médio regular não é educação, mas apenas ensino, enquanto a Educação Profissional e a Educação de Jovens e Adultos são educação (embora também envolvam ensino)?
Não nos esqueçamos de que, segundo o parágrafo primeiro do artigo primeiro, a lei só se preocupa com a “educação escolar”, que acontece em “escolas”, através do “ensino”. Portanto, a Educação Profissional e a Educação de Jovens e Adultos de que tratamos aqui são escolares, e não “não-formais”, ocorrentes (por exemplo) no contexto do trabalho…
E por que deixar no ar a impressão de que aquilo que fazem (ou “sofrem”) os alunos do Ensino Médio regular ou da Educação Profissional não é “Educação de Jovens”, quando quase todo mundo é jovem na idade em que normalmente cursa um desses caminhos?
Viram o nível da confusão conceitual mesmo no nosso diploma legal maior na área da Educação (vale dizer: Educação Escolar)?
2. Processos Formativos
A LDBEN fala em “processos formativos” no caput do artigo primeiro. Vou tentar esclarecer aqui (admitidamente sem a ajuda da lei, que silencia sobre o assunto) o que seria um processo formativo. Mas vou fazer (como é inevitável) à minha moda.
Tem havido, ao longo do tempo, e continua a haver, muita gente que se incomoda com o conceito de “formação”. Afirmam os implicantes que ele não deve ser considerado basicamente sinônimo do conceito de educação, porque “formar” seria impor a algo (alguém) uma forma (com “o” aberto) que lhe é estranha. Algo como colocar esse algo (alguém) numa forma (com “o” fechado). Ou como pegar as forminhas (de novo com “o” fechado) usadas para fazer bolachinhas (os famosos cookies) e dar à massa disforme a forma de animaizinhos, objetos, etc.
Formar, portanto, seria educar “de fora para dentro”, por assim dizer. Seria, para usar outra metáfora, pegar uma folha de papel em branco (a tabula rasa da filosofia) e nela escrever um texto, ou fazer um desenho. A massinha, no caso, nada tem a ver com a forma que é dada a ela, como a folha de papel em branco nada tem a ver com o texto, ou desenho, que se elabora nela.
Os implicantes preferem ver a educação como um processo que segue a direção oposta, “de dentro para fora” (de novo, por assim dizer). A criança, afirmam, não é objeto, ou matéria prima, da educação, um produto do trabalho do educador (que seria o construtor do produto, agindo como o confeiteiro que faz cookies ou como quem escreve ou desenha numa folha de papel em branco).
A educação, na visão dos implicantes, lida com seres vivos, dotados de natureza e potenciais (talentos naturais) que devemos deixar desabrocharem. Desta forma eles se atualizariam, desenvolveriam capacidades adquiridas e determinados interesses, que deveríamos respeitar… Educar, portanto, seria criar as condições propícias para que aquilo que a criança já é, para o que ela traz consigo – e, oportunamente, aquilo que ela queira fazer de si mesma – tenha livre curso, seja estimulado, apoiado e ajudado.
Porque, afirmam os implicantes, na linha do que uma vez disse Paulo Freire, ninguém educa ninguém… Mas, tampouco, como bem lembra nosso educador maior, alguém se educa sozinho, como se fosse uma árvore que cresce a partir de uma semente jogada à beira do caminho. “Nós nos educamos uns aos outros”, disse Paulo Freire, “em comunhão”, à medida que vivemos.
Confesso que estou entre os implicantes mais ferrenhos. Por isso prefiro usar o termo “desenvolvimento”, em vez de “formação”. A Educação lida com os processos que levam ao desenvolvimento humano e busca garantir que ele aconteça de maneira natural, agradável, levando em conta os talentos naturais e os interesses da criança. Estes, juntos, permitem o desenvolvimento de suas competências e habilidades (isto é, dos seus “talentos adquiridos”), e respeitando sua unicidade, sua liberdade, sua autonomia.
Esses “processos de desenvolvimento” (que ficam no lugar dos “processos formativos” mencionados na LDBEN) são basicamente os que a lei menciona, que podem ser resumidos em quatro:
- os diversos ambientes presenciais de convivência humana em que o objetivo primordial não seja a educação, como a família, a igreja, o trabalho, os locais de lazer etc.;
- as tecnologias de comunicação que nos permitem interagir uns com os outros à distância e, portanto, podem ser descritas como ambientes virtuais de convivência humana interativa (o correio, o telefone convencional, o correio eletrônico, a mensagem textual instantânea [o chat], outras formas de comunicação pela internet, etc.);
- as tecnologias de informação que nos colocam em contato com produtos humanos e, portanto, podem ser descritas como ambientes virtuais de convivência humana não interativa: a imprensa (livros, panfletos, jornais, revistas, internet etc.); a transmissão do som à distância (o rádio, os discos, as fitas, a internet etc.); a transmissão de imagens à distância (o cinema, a televisão, a internet etc.);
- a escola, entendida como um ambiente artificial criado com a finalidade precípua de… Do que, mesmo?
Quero chamar a atenção para três coisas nessa lista.
Primeiro, o fato de que os três primeiros itens abrangem o que podemos chamar de “educação não-formal” – o que a LDBEN chamaria de “educação não-escolar” – que, hoje sabemos, opera ao longo da vida inteira. (É verdade que a tecnologia pode também ser incorporada à educação formal, escolar, mas não resta dúvida de que ela pode ser, e de fato é, utilizada fora dela – razão pela qual, possivelmente, a LDBEN basicamente não dá lhe atenção.)
Segundo, a crescente importância da internet, tecnologia recente, no segundo e no terceiro item.
Terceiro, o fato de que há profundas discordâncias em relação à questão da finalidade primordial da escola. Por isso, os três pontinhos no quarto item.
Para simplificar a questão: a finalidade precípua da escola é ensinar? Ou é criar condições para que os alunos aprendam? A LDBEN assume que a finalidade da escola é ensinar. “Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias”, determina o início da redação.
É verdade que é usado o advérbio “predominantemente”, não “exclusivamente”, mas, na prática, a predominância tem sido virtualmente exclusiva.
Esse fato impede, em minha opinião, que a escola se renove. Ajuda a preservar uma instituição que, na forma atual, é totalmente obsoleta. No artigo seguinte, com a ajuda de Liev Tolstói, vou mostrar como já era obsoleta no século 19.

domingo, 23 de setembro de 2012

A LIDERANÇA MAIOR É AQUELA QUE SERVE

Convivemos com líderes autocráticos que não são capazes de se apartarem do poder. Esse tipo de líder não compartilha o poder porque tem medo, convive eternamente com o medo. Algo novo vem proporcionar mudanças importantes em nosso meio. Vale citar: Documento de Aparecida, as diretrizes, o documento da cnbb 97, assim como os 50 anos do Concílio Vaticano II. A Palavra de Deus exige desapego. Se ficarmos citando toda essa riqueza de conteúdo sem atitudes que nos leve á conversão, assim não estaremos sendo fiéis ao desígnio de Deus. As lideranças autocráticas se escondem da verdade que liberta. 
Temos que voltar a sonhar com aquilo que era formação, plenária, discursão e celebração. Temos que sonhar com a formação de novas lideranças. Só assim multiplicaremos nossas atividades visando o bem maior. Mas tem uma coisa importante para aprendermos. É necessário adotarmos a mentalidade do lava-pés onde aquele que é o maior de todos se torna o servidor. O Vaticano II continua muito avançado para a nossa realidade. Fica aqui o convite: estudar os documentos da Igreja e participar com alegria e fervor da Igreja Mãe e acolhedora. 
Não podemos esquecer que na galiléia surgiu a boa notícia do reino de Deus, surgiu o Evangelho. Quanta liderança, desapego e amor preferencial pelos mais pobres. Era Jesus de Nazaré, da galiléia, da judéia e de  todo lugar. Ele não era apegado ao poder. A sua lei era o AMOR, principalmente aos mais necessitados.

Texto de Leonardo Boff

Como nasce a ética?
A base de toda construção ética, cujo campo é a prática, se baseia nesta pressuposição: a ética surge quando o outro emerge diante de nós.
O outro pode ser a pessoa mesma que se volta sobre si mesma, analisa a consciência, capta os apelos que nela se manifestam (ódio, compaixão, solidariedade, vontade de dominação ou de cooperação, sentido de responsabilidade), se dá conta de seus atos e das consequências que deles se derivam. O outro pode ser aquele que está à sua frente, homem ou mulher, criança, trabalhador, empresário, portador de HIV, negro etc. O outro podem ser os outros como uma comunidade, uma classe social, a sociedade como um todo, ou, numa perspectiva mais glabal, a natureza, o planeta Terra como Gaia e, em último termo, Deus.
Diante do outro ninguém pode ficar indiferente. Tem que tomar posição. Mesmo não tomando posição, silenciando e mostrando-se indiferente, já é uma posição.
A ética surge a partir do modo como se estabelece a relação com estes diferentes tipos de outro. Pode fechar-se ou abrir-se ao outro, pode querer dominar o outro, pode entrar numa aliança com ele, pode negar o outro como alteridade, não respeitando-o mas incorporando-o, submetendo-o ou simplesmente destruindo-o.
De todas as formas, o outro representa uma pro-posta que reclama uma res-posta. Deste confronto entre pro-posta e res-posta surge a re-sponsa-bilidade. Ao assumir minha responsabilidade ou demitir-me dela, me faço um ser ético. Dou-me conta da consequência de meus atos. Eles podem ser bons ou ruins para o outro e para mim.
O outro é determinante. Sem passar pelo outro (que posso ser eu mesmo), toda ética é anti-etica.
Não sem razão todas as religiões e tradições éticas, do Ocidente e do Oriente, estabelecem como máxima fundadora do discurso ético: “não faça ao outro o que não queres que te façam a ti”. Ou positivamente: “faça ao outro o que que gostarias que te fizessem a ti”. É a regra áurea.
E como o outro mais outro é o pobre e o excluido, o imperativo ético mínimo e urgente, prévio a qualquer outro, é esse, bem formulado por Enrique Dussel, argentino e filósofo da libertação:
“Liberta o pobre e inclua o excluido”.
Apliquemos isso à nossa sociedade. Ela não é uma sociedade qualquer. Precisa ser qualificada: é uma sociedade, predominantemente, estruturada no modo de produção capitalista, quer dizer, privilegia o capital sobre o trabalho, privatiza os meios de produção e define de forma desigual o acesso aos bens necessários à vida: primeiro quem detém os meios de produção, depois os demais, deixando até de fora quem não tem força social de pressão. São os excluidos, hoje perfazendo, as grandes maiorias da humanidade, cujas vidas não têm sustentabilidade, vivem abaixo do nivel de pobreza e, em consequência, morrem antes do tempo.
Esse tipo de sociedade valoriza mais a competição que a cooperação e magnifica o indivíduo que constrói sozinho sua vida, seu benestar e seu destino e não a sociedade e a comunidade dentro das quais, concretamente, o indivíduo sempre se encontra.
A sociedade neo-liberal levou até as ultimas consequências esta visão. Por isso, os governos administram desigualmente os bens públicos, privatizam, planejam políticas públicas e sociais pobres para os pobres e ricas para os ricos e poderosos seja indivíduos, empresas ou classes; atendem primeiramente a seus interesses, garantem seu tipo de consumo e são atentos às suas expectativas. Não as incentivam a olhar para os lados onde estão os outros e assim fazer e refazer continuamente a solidariedade social.
Tais governos não realizam a definição mínima de política que é a busca comum do bem comum e o cuidado das coisas do povo. Por isso são anti-éticos e fautores de atitudes coletivas em contradição com os apelos éticos. Porque não se orientam pelo outro que é o princípio fundador da ética básica.
A sociedade mundial hoje globalizada nesse modelo anti-etico promove a globalização como homogeneização: um só pensamento, um só modo de produção (o capitalista), um só tipo de mercado, uma só tipo de religião, o cristianismo, um só tipo de música (rock), um só tipo de comida (fast food), um só tipo de excutivo, uma só tipo de educação, um só tipo de lingua, o inglês etc.
Com a negação da alteridade ou o seu submetimento ou a sua destruição, a sociedade-mundo atual se coloca em contradição com ética. Essa atitude perversa tem como consequência a má qualidade de vida atual em todos os âmbitos sociais, culturais e ambientais.
Essa atitude é tanto mais grave pelo fato de atingir o substrato fisico-quimico que possibilita a biosfera e o projeto planetário humano. Não se respeita a Terra como o grande outro e como subjetividade, chamada Gaia. Reduz esse super-organismo vivo, a um baú inerte de recursos naturais, entregues ao bel prazer humano. Violenta a alteridade dos eco-sistemas, depredando seus recursos, ameaçando as espécies, envenenando os ares, poluindo os solos, contaminando as águas, como se esses representantes da comunidade terrenal não tivessem uma história mais ancestral que a nossa e nós não dependessemos deles para a nossa propria vida.
O preceito etico-ecológico urgente hoje é este:
“Aja de tal maneira que tuas ações não sejam destrutivas da Casa Comum, a Terra, e de tudo no que nela vive e co-existe conosco”.
Ou: “Aja de tal maneira que tua ação seja benfazeja a todos os seres, especialmente aos vivos”. Ou :“Aja de tal meneira que permitas que todas as coisas possam continuar a ser, a se reproduzir e a continuar a evoluir conosco”.
Ou então: “Use e consuma o que precisas com responsabilidade para que as coisas posssam continuar a existir, atendam nossas necessidades e as das gerações futuras, de todos os demais seres vivos, que tambem junto conosco têm direito de consumir e de viver”. Precisamos consumir para viver. Mas devemos consumir com responsabilidade e com solidariedade para com os outros, respeitando as coisas em sua alteridade e entrando em comunhão com elas, pois são nossos companheiros e companheiras na imensa aventura terrenal e cósmica.
Como se depreende, não é essa a ética que predomina. A ética vigente é predatória, irresponsável, individualista, perversa para com os outros, tratados com dissimetria e injustiça nos processos produção, de distrubuição e de compensação. Ela é cruel e sem piedade para a grande maioria dos seres vivos humanos e não humanos. Por fim, ela ameaça o futuro da biosfera e do projeto humano.
Para superarmos essa ética altamente destrutiva do futuro da humanidade e do planeta Terra devemos partir de outra ótica. Só uma nova ótica pode gerar uma nova ética.
A nova ótica que está se difundindo um pouco por todas as partes arranca de outra compreensão da relidade, fundada no conjunto de saberes que perfazem as ciências da Terra.
A tese de base desta ótica afirma que a lei suprema do universo é a da inter-dependência de todos com todos. Tudo está relacionado com tudo em todos os pontos e em todos momentos. Ninguem vive fora da relação. Mesmo a lei de Darwin do triunfo do mais forte se inscreve dentro dessa pan-relacionadade e solidariedade universal. Por causa das inter-retro-relações de todos com todos é que se garantiu a diversidade em todos os campos, particularmente, a biodiversidade e o fatao de todos podermos chegar ao ponto que atualmente chegamos.
Sobrevivemos graças às bilhões de células que inter-agem entre si em nosso corpo e das bilhões de bacterias, mitocôndrias e outros corpos que vivem dentro das células, células que fomam organismos, corpos, sistemas, interconcectados com o meio natural e cósmico.
Essa cooperação de todos com todos funda uma nova ótica que, por sua vez, origina uma nova ética de con-vivência, cooperação, sinergia, solidariedade e comunhão de todos com todos e com a Terra, com a natureza e com seus ecosistemas. A partir desta ética nos contemos, nos submetemos a restrições e valorizamos as renúncias em função dos outros e do todo.
Ou assumimos tal ética e sobre ela fundamos um novo pacto socio-cósmico ou corremos o risco de ir ao encontro do pior, ou de fazermos uma travessia altamente destruidora da vida e da humanidade, capaz de dizimar um número incontável de seres vivos.
A partir dos sobreviventes deste eventual colapso, aprender-se-ão as amargas mas benfazejas lições para uma nova história. Com os valores fundados na cooperação e na solidariedade inaugurar-se-á um outro tipo de ser humano, com outro tipo de civilização e com outro tipo de destino planetário da humanidade. O ser humano, indivíduo social aprenderá a entender-se como sendo a própria Terra que chegou ao momento de sentir, pensar, amar, venerar e se responsabilizar pelo futuro comum dos humanos, de todos os demais seres e da própria Terra, pátria e mátria de todos.
Uma nova história começará, seguramente mais cooperativa, humanitária, ética e espiritual.

domingo, 23 de setembro de 2012

ENCONTRO DE FORMAÇÃO MISS@O.COM É SUCESSO


Com as presenças de 130 agentes de diversas pastorais das paróquias do 8 e 13 Zonais da Arquidiocese de Natal, está sendo realizado em Nova Cruz, neste domingo o ENCONTRO DE FORMAÇÃO MISS@O.COM. no auditório do Colegio de Nossa Senhora do Carmo.
Na abertura, padre Francisco de Assis, paroco de Nova Cruz, que sedia o evento deu as boas vindas aos presentes. O evento conta ainda com as presenças dos Padres Edilson Nobre e Roberlan.
 
 
 
 
 

 
Logo em Seguida Cassilda, falou sobre o 8 multicom que ocorrerá na Arquidiocese de Natal no ano que vem e que reunirá pessoas ligadas as PASCOMs de todo o Brasil.
Padre Edilson Nobre, Assistente Eclesial da Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Natal realizou a palestra sobre o tema: "Comunicação na vida e missão na Igreja".
Pascom: Nova Cruz