sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Hino da Jornada convidará os jovens a serem amigos de Cristo
03/09/2012
Raquel AraujoA+a-ImprimirAdicione aos FavoritosRSSEnvie para um amigo

No dia em que a Igreja comemora a Festa da Exaltação da Santa Cruz o mundo inteiro irá conhecer o Hino Oficial da Jornada Mundial da Juventude Rio 2013. Em 14 de setembro, às 20 horas, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz, a canção que embalará a vida da juventude será apresentada através de um clipe que foi gravado no maior cartão-portal da cidade, o Cristo Redentor. O autor do hino é de Belo Horizonte, compositor de mais de 200 títulos. Padre José Candido escreveu a música motivado pelos amigos. Intitulado "Cruz da Esperança!", o hino foi inspirado nas belezas cariocas, no Cristo Redentor e no tema da JMJ "Ide e fazei discípulos entre todas as nações". Em entrevista ao Portal da Arquidiocese, Padre José Candido revelou suas emoções e expectativas em ver o hino da Jornada sendo cantado por jovens de todos os continentes:

O que o motivou a participar desse concurso?
Padre José Candido: Na verdade foram algumas pessoas que me perguntaram: por que você não faz, você fez outros hinos...? Então, isso me motivou e decidi escrever uma letra para o hino.

Como foi a elaboração e o que inspirou o senhor a fazer o hino?
Padre José Candido: Bom, o que me inspirou, em primeiro lugar, foi o tema da jornada, um tema muito rico "Ide e fazei discípulos entre todas as nações", ligado à Conferência de Aparecida: discípulos e missionários. Então, acho que essa temática é muito rica e me inspirei baseado nela, nos textos bíblicos e também na alegria e no entusiasmo dos jovens.

Como o senhor se sentiu sabendo que foi o vencedor do concurso e que a sua composição será conhecida mundialmente? 


Padre José Candido:
 Fico muito feliz, mas, acima de tudo, esse é um serviço que eu presto à Igreja. Acredito que os jovens vão gostar, porque o hino fala de uma relação muito próxima com o Cristo — produz um sentimento de pertença e, na medida em que esse hino na jornada elevar os corações, elevar o entusiasmo, isso para mim será a maior gratificação, a maior realização.

E quais as inspirações para compor o Hino?
Padre José Candido: O hino foi pensado de uma maneira simples, a melodia é uma estrutura simples. A letra também é simples e incisiva no tema e, principalmente, faz recurso às Escrituras Sagradas, de um modo especial à Carta de São João: “vós sois meus amigos” (Jo 15-14) e, depois, Mateus: “ide pelo mundo inteiro”. No refrão, as pessoas vão perceber como se juntam esses dois momentos da Escritura. Jesus chama os jovens e depois os envia; e, uma vez amigos, vão anunciá-Lo ao mundo inteiro. (...) Essa foi a base, a inspiração para o hino.


* Fotos: Comunicação JMJ Rio2013



Rádio Catedral


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Estado a serviço da nação

“Queremos um estado a serviço da nação, que garanta direitos a toda população!”. Esse é o tema do 18º Grito dos Excluídos que em todo o Brasil ocorre nesta sexta feira 07 de setembro . O grito leva às ruas a mobilização popular que denuncia o modelo atual de política que ainda preserva as raízes da desigualdade social e da injustiça estrutural, base da nossa organização social e política.
Há quem pense que o Grito dos Excluídos e esse tipo de mobilização social estão esgotados. De fato em uma sociedade na qual tudo é espetáculo de massa, se torna mais difícil mobilizar organizações e movimentos populares, principalmente neste 07 de setembro, final de semana prolongado e início de temporada de praia. Entretanto, a cada ano, o grito tem crescido. Fica mais organizado e se espalha por todo o país. O Grito é protagonizado pelos movimentos populares e apoiado pelas pastorais sociais ligadas à Igreja Católica, como iniciativa ecumênica e laical. É um gesto profético em defesa da justiça e do direito de todos. Em outros tempos, bispos que eram verdadeiros pastores como Dom Hélder Câmara se colocavam como voz dos que não tinham voz. Hoje os próprios excluídos lutam para ter voz e vez no embate por uma plena cidadania.
Simone Weil, mística e intelectual francesa do início do século XX, dizia: “Eu reconheço quem é de Deus, não quando me fala de Deus, mas pelo seu modo de se relacionar com as pessoas e de lutar pela justiça no mundo”. A ONU acaba de confirmar: o Brasil é a sexta economia do mundo, mas apenas três países ganham de nós em desigualdade social. Não poderemos mudar essa realidade apenas com gritos, mas, de fato, o Grito dos Excluídos é um movimento mais amplo do que apenas a mobilização de massas que sai às ruas no 07 de setembro. Inclui reuniões, manifestos assinados e aprofundamento de debates políticos com propostas alternativas importantes para o país.
Neste ano, o Grito dos Excluídos ocorre em meio à campanha eleitoral pelas prefeituras e câmaras de vereadores. Infelizmente, assistimos a alianças partidárias que não se baseiam em acordos programáticos e propostas novas para o país. Visam apenas garantir mais tempo em programas de televisão e têm como única meta a conquista do poder. É preciso outro modelo de política, não apenas parlamentar, mas participativo e comunitário. O Grito dos Excluídos ensaia esse protagonismo popular.
Para quem é cristão, a meta da vida espiritual é viver e testemunhar no mundo o reinado divino, projeto de um mundo novo regido pelo amor e pela justiça. Nenhum regime social esgota a realidade do reino de Deus, mas uma sociedade mais justa e democrática é sinal que aponta para a efetivação desse projeto divino. Na carta aos romanos, Paulo afirma que precisamos passar de um tipo de fé que não leva à justiça a uma fé que realmente leve à realização da justiça (Cf. Rm 1, 17). 

(Escrito por Marcelo Barros)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

FÉ E LUZ
Sábado acontecerá a reunião com representação do Movimento Fé e Luz para definição da peregrinação que realizaremos nesse mês. O local que visitaremos é Cunhaú, na capelinha onde participaremos da Santa Missa.

A LUTA MUDA A VIDA
Os estudantes organizados deram uma grande demonstração de politização pelo bem comum. Quem se beneficiou? Toda a sociedade saiu vencedora. Essa juventude lutadora me orgulha. Durante o processo criticada por aqueles sem esperança e por aqueles que em tudo defende o sistema. Foi uma vitória da verdadeira democracia. A democracia que favorece o bem comum. Essa faz a diferença. Foi uma aula. Um jovem que se forma assim tem credibilidade. 

VINDE Ò IRMÃO ADORAR
O PROTAGONISMO DO LEIGO
O Documento de Aparecida nos deixa uma grande esperança, a comunhão e participação na Igreja em toda a América Latina e Caribe. O Concílio Vaticano II foi exatamente um concílio pastoral. Por isso mesmo a posição do leigo na Igreja se modifica, ele passa a ter um papel significativo na Igreja. E assim, todo tempo é tempo de evangelização. A comunhão, a unidade é tão necessária entre todos   quanto o ar que respiramos. Louvemos a Deus pela Igreja que temos, pelos leigos que somos rumo ao coração de Jesus e da Igreja.


 
Bispo emérito da cidade de Goiás e conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Tomás Balduíno participou em Fortaleza, Ceará, do Simpósio "50 Anos do Concílio Vaticano II e 40 Anos da Teologia da Libertação – O que o Espírito diz às Igrejas?”. O evento, que se encerrou no último sábado, foi realizado pelo Movimento Formação Cristã Libertadora. Em entrevista a ADITAL, Dom Tomás falou sobre as mudanças na Igreja geradas pelo Concílio Vaticano II, enfatizou o importante papel dos leigos e leigas e contextualizou o cenário da América Latina.
(página Adital)

ADITAL – O Concílio Vaticano II foi o momento em que a Sagrada Escritura foi o foco central, voltou a ser o interesse central da Igreja e começa, sobretudo, a chegar às mãos do povo, nas mãos dos cristãos, dos leigos. Isso causou alguma mudança dentro da Igreja?
Dom Tomás Balduíno- Causou muitas mudanças. Eu falo do caso da América Latina em que havia já uma busca de contato com a bíblia, com a palavra de Deus nas comunidades, sobretudo, considerada em situação de inferioridade com relação aos crentes que lidavam muito bem com a bíblia. Então, entre nós, tivemos a grande chance de Carlos Mesters, do grupo dele, do CEBI, da leitura popular da bíblia. Isso foi como o ovo de Colombo e difundiu muito a bíblia entre nós.

ADITAL - A Igreja Povo de Deus despontou também quase que, se não em contradição, mas como novo valor do Concílio. A Igreja do lado hierárquico não acompanhou essa mudança. Como o senhor vê essa questão, sobretudo, pensando no futuro com tantos teólogos quase que afastados?
Dom Tomás Balduíno- A questão do Povo de Deus tornou-se uma proposta pra dentro da Igreja, que mexeu na estrutura, por isso, teve mais reação por parte da Cúria, eles não esperavam aquele esquema que colocasse o Povo de Deus antes da consideração sobre a Igreja hierárquica. E isso, então, com o Sínodo de 85 já programado por João Paulo II foi a bancarrota, acabou, foi supresso. Quer dizer, teoricamente, ou então curialmente supresso. Na realidade é a nossa força, é a força da nossa pastoral na América Latina, é o Povo de Deus com todas as consequências de participação, de contribuição, de presença, de contradição.

Adital - Sobre a situação da América Latina, hoje nós podemos dizer que há sinais claros de iniciativas concretas que apontam não só para um futuro, mas que mostram uma continuidade. Vendo esse passado, pensando nesses sinais e olhando o futuro, como é que o senhor avalia essa vivência desses setores de Igreja?
Dom Tomás Balduíno- Antes de falar desses sinais, que são sinais luminosos, eu queria mostrar a estratégia, utilizada, sobretudo, pelo Papa João Paulo II de abranger toda a estrutura da Igreja. Ele pegou desde a formação do seminário até a nomeação dos bispos. Passando também pelo direito canônico e pela repressão da Teologia da Libertação. Pegou também o colegiado, uma vez que a nomeação de bispos era de acordo com o sistema romano, então, o colegiado foi desaparecendo e reaparecendo as províncias eclesiásticas. Isso foi uma estratégia que perdura como peso até hoje em toda a diocese, em toda a Igreja no mundo inteiro. Há sinais claros, concretos de vida continuando com o Concílio Vaticano II, vivendo esse carisma na América Latina. Primeiro os frutos de Medelín, que são as organizações sociais camponesas, indígenas de mulheres que hoje existe. Vivemos as consequências queridas e planejadas por Medelín no sentido das comunidades, dos seus agentes sujeitos, autores e destinatários da sua própria caminhada. Isso está acontecendo mais em uns países do que em outros. Considero, por exemplo, Equador e Bolívia países onde isso é muito flagrante. Depois, dentro da própria Igreja o fortalecimento das CEBs, os encontros de CEBs é um apelo, o pessoal vem, é um grupo minoritário, mas muito representativo e significativo em todo o Brasil. Também as Pastorais Sociais como tem crescido, como tem se fortalecido agora em comunhão ou intercâmbio com as diversas organizações sociais populares. Depois os congressos, as organizações de lideranças de teologia, as jornadas mostram que a semente não foi destruída, a semente está produzindo frutos. É muito interessante, acho que se interliga no mundo inteiro com as diversas tentativas de romper essa estrutura monolítica da Igreja.

Adital - O que falta hoje para os leigos serem mais autônomos, tomarem as decisões? Esse Simpósio Teológico que estamos fazendo deveria ser multiplicado no sentido de dar aos leigos os meios pra se sentirem mais seguros nas suas posições e para tomarem mais iniciativas. O que falta para eles agirem?
Dom Tomás Balduíno- Há 20 anos ou mais que venho pensando e tentando passar adiante. Primeiro é que o futuro está na mão do laicado da Igreja, não da hierarquia. Bananeira que já deu cacho não presta mais. Tem sua função, mas a força da Igreja é o laicado. E o Concílio ascendeu um pouco timidamente sobre isso, mas o caminho para superar essas dependências, essas mil dependências da paróquia ou então do Bispo, uma linha de criar uma autonomia é a escola de teologia, a escola bíblica. É verdade que nós temos pastorais autônomas, temos uma pastoral autônoma, que é a Comissão Pastoral da Terra, que eu considero uma estrutura leiga, tem Bispo na direção porque foi pedido pela CNBB, mas o que vale ali é a presença do laicado. E quando isso é formado, quando tem base teológica e sabe ver o futuro, isso não só serve de defesa para a pessoa ou grupo, mas serve também de caminhada, de serviço ao mundo, um serviço necessário que não é só a hierarquia ou os missionários que vão fazer, mas leigos até com mais eficácia, com fermento na massa.