sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Nas Catacumbas de Domitilla, em Roma, o Pacto de 40 bispos
Eis
o texto na íntegra:
Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II,
esclarecidos sobre as deficiências de nossa vida de pobreza segundo o
Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós
quereria evitar a singularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos
no Episcopado; contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus
Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses;
colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante da
Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na
humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda a
determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça, comprometemo-nos
ao que se segue:
1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da
nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de
locomoção e a tudo que daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.
2) Para sempre renunciamos à aparência e à
realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes),
nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito,
evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.
3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem
conta em banco, etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos
tudo no nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21;
Lc 12,33s.
4) Cada vez que for possível, confiaremos a
gestão financeira e material em nossa diocese a uma comissão de leigos
competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos
administradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.
5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por
escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência,
Excelência, Monsenhor). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre.
Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.
6) No nosso comportamento, nas nossas relações
sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades
ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes
oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor
9,14-19.
7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou
lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a
solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a
considerarem as suas dádivas como uma participação normal no culto, no
apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.
8) Daremos tudo o que for necessário de nosso
tempo, reflexão, coração, meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das
pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem
que isso prejudique as outras pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os
leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem
os pobres e os operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc
4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.
9) Cônscios das exigências da justiça e da
caridade, e das suas relações mútuas, procuraremos transformar as obras de
"beneficência" em obras sociais baseadas na caridade e na justiça,
que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos
organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.
10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis
pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática
as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à
igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os
homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos
do homem e dos filhos de Deus. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9
inteiros; 1Tim 5, 16.
11) Achando a colegialidade dos bispos sua
realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em
estado de miséria física, cultural e moral - dois terços da humanidade -
comprometemo-nos:
- a participarmos, conforme nossos meios, dos
investimentos urgentes dos
episcopados das nações pobres;
- a requerermos juntos ao plano dos organismos
internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na
ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem
nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas
pobres saírem de sua miséria.
12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade
pastoral, nossa vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e
leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:
- esforçar-nos-emos para "revisar nossa
vida" com eles;
- suscitaremos colaboradores para serem mais uns
animadores segundo o
- procuraremos ser o mais humanamente presentes,
acolhedores;
- mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for
a sua religião. Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.
13) Tornados às nossas dioceses respectivas,
daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes
ajudar-nos por sua compreensão, seu concurso e suas preces.
AJUDE-NOS DEUS A SERMOS FIÉIS.
Organização espanhola denuncia: mais de 200 milhões de crianças sofrem desnutrição


Madrid (RV) – Por ocasião da Jornada Internacional da Infância, a ser celebrada em 20 de novembro, a organização espanhola “Ação contra a Fome” denunciou que mais de 200 milhões de crianças sofrem de desnutrição crônica e aguda.
Para enfrentar esta calamidade, a organização promoveu a campanha “Infância Desaparecida”, para denunciar as consequências irreversíveis da desnutrição infantil no desenvolvimento físico motor e cognitivo das crianças.
Estes fatores impedirão seu crescimento saudável, de brincar, ir à escola, concentrar-se e aprender. Além disto, as crianças desnutridas são mais vulneráveis às infecções, tem reduzido consideravelmente seu apetite, agravamento de patologias e inibição de crescimento.
Segundo a “Ação contra a Fome”, as crianças desnutridas de hoje serão os pobres de amanhã e, “infelizmente, diversas nações e inteiras gerações estão nesta situação”. (JE)
Madrid (RV) – Por ocasião da Jornada Internacional da Infância, a ser celebrada em 20 de novembro, a organização espanhola “Ação contra a Fome” denunciou que mais de 200 milhões de crianças sofrem de desnutrição crônica e aguda.
Para enfrentar esta calamidade, a organização promoveu a campanha “Infância Desaparecida”, para denunciar as consequências irreversíveis da desnutrição infantil no desenvolvimento físico motor e cognitivo das crianças.
Estes fatores impedirão seu crescimento saudável, de brincar, ir à escola, concentrar-se e aprender. Além disto, as crianças desnutridas são mais vulneráveis às infecções, tem reduzido consideravelmente seu apetite, agravamento de patologias e inibição de crescimento.
Segundo a “Ação contra a Fome”, as crianças desnutridas de hoje serão os pobres de amanhã e, “infelizmente, diversas nações e inteiras gerações estão nesta situação”. (JE)
Curso de Formação e
Aperfeiçoamento em Cerimonial
A Faculdade Dom Heitor Sales Araújo (FAHS) promoverá dias 26 e 27 de novembro, no Auditório do SESC (Serviço Social do Comércio), no Centro, Curso de Formação e Aperfeiçoamento em Cerimonial, nos horários das 19h às 22h. No programa serão tratados temas como: cerimoniais na igreja católica, o que é permitido? Cantos em cerimônias litúrgicas, missas, formaturas, casamentos
A Faculdade Dom Heitor Sales Araújo (FAHS) promoverá dias 26 e 27 de novembro, no Auditório do SESC (Serviço Social do Comércio), no Centro, Curso de Formação e Aperfeiçoamento em Cerimonial, nos horários das 19h às 22h. No programa serão tratados temas como: cerimoniais na igreja católica, o que é permitido? Cantos em cerimônias litúrgicas, missas, formaturas, casamentos
Neópolis constrói casa para acolher pessoas carentes
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| A Casa Divino Mestre, construída pela Paróquia de Nossa
Senhora Aparecida, em Neópolis, Natal, terá a finalidade de acolher
pessoas carentes, residentes em cidades do interior do Estado, que
procurem a capital potiguar para tratamento de saúde e que não dispõem
de abrigo. O pároco, Padre Antônio Nunes de Araújo, explica como está se dando a construção da casa.
Como surgiu a ideia de construir a Casa do Divino Mestre?
Após a conclusão dos centros pastorais das comunidades de Neópolis e de Capim Macio, derradeiras obras físicas projetadas para atenderem às necessidades dos trabalhos paroquiais, com o intuito de dar maior visibilidade à ação pastoral da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, contando com a atuação direta de todas as pastorais, tanto as que desenvolvem atividades-meio como as de atividades-fim, surge então a ideia de edificar uma obra que viesse a traduzir o amadurecimento de nossa caminhada de fé.
Por que o nome “Casa do Divino Mestre”?
“Casa do Divino Mestre” nasce da reflexão da bela e fundamental lição do nosso Mestre e Senhor Jesus Cristo narrada segundo Mateus 25, 31-46, que de maneira muito clara nos ensina que o nossa vida será julgada a partir de nosso comportamento diante do sofrimento do irmão: tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber, era estrangeiro e me acolheste, estava nu e me vestistes, estive doente e preso e fostes me visitar..
Há previsão de quando ela passará a funcionar?
Embora plenamente conscientes de que essa obra é fruto da vontade de Deus, e que, portanto, virá ao seu tempo, temos como meta concluí-la no vindouro ano de 2013, o que significará para nós o grande presente que marcará o ano do jubileu de 25 anos de criação da Paróquia.
Quem serão os beneficiados com a Casa? Como as pessoas poderão ter os benefícios da Casa?
A Casa se destinará especialmente para acolher pessoas carentes, residentes em cidades do interior do Estado, que procurem esta Capital para tratamento de saúde e que não disponham de abrigo. A ideia é de receber todo aquele que dela necessitar, sendo necessária tão-somente que o interessado a procure e que seja submetido a uma prévia avaliação de um profissional de Assistência Social que deveremos manter quando do seu funcionamento.
Será apenas uma casa para acolhida, tipo hospedagem, ou ela oferecerá outros serviços às pessoas?
Sabemos que todos os dias, em busca de assistência médica, pessoas são obrigadas a se dirigirem a Capital do Estado, vindas dos mais remotos recantos do Estado, e até mesmo de estados vizinhos, para tratamento ambulatorial de saúde ou para acompanhar parentes que aqui se encontram em tratamento nas diversas casas de saúde em Natal sediadas. Sabemos também que uma parte considerável dessas pessoas, especialmente aquelas que mais sofrem o abandono das políticas governamentais, aqui chegam sem abrigo, sem comida e sem orientação e sem transporte, o que torna sua luta pela saúde um calvário cheio de estações. Assim, ao idealizarmos a Casa, desde o primeiro momento afastamos a ideia de simples albergue e projetamos um lugar que fosse destinado a não só acolher com serviço de albergue, mas que também fornecesse alimentação digna, transporte e orientação na resolução das dificuldades enfrentadas pelos usuários.
Como a Casa foi construída? De onde saíram os recursos?
Desde a aquisição do terreno até o atual estágio de início de acabamento em que se encontra a obra, tudo se deu através da atitude solidária de incontáveis pessoas. Inicialmente, constituímos a “Associação Casa do Divino Mestre”, que tem como sócia-fundadora a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, e que dispõe de sócios que cooperam com uma pequena mensalidade totalmente destinada às atividades da Casa. Depois, com a ativa participação das comunidades paroquiais de Neópolis e Capim Macio, realizamos diversas ações e eventos com o intuito específico de angariar fundos a serem utilizados na edificação do prédio. Além disso, contamos com a colaboração especial de doadores anônimos que cooperaram quer com mão-de-obra, quer com projetos técnicos, quer com matéria prima ou com donativos de brindes para sorteios, o que veio a nos propiciar atingir o atual estágio em que se encontra a Casa.
Como as pessoas podem colaborar com a
Casa, nesta fase ainda de acabamento das obras e depois, no
funcionamento mesmo?
Sabemos que após a conclusão da obra, o nosso grande desafio será poder atingir nosso principal objetivo de acolher com dignidade a cada um que pra lá se dirigir. Porém, no estágio em que ainda nos encontramos precisamos do apoio de todos, que poderão ajudar tornando-se sócio da Associação Casa do Divino Mestre, ou através de doações em dinheiro ou na forma de oferta de materiais de construção, devendo o interessado procurar a sede da Associação que funciona juntamente com a Secretaria da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, no bairro de Neópolis. Concluída a construção da Casa, aqueles que desejarem colaborar, poderão fazê-lo também como sócios da Associação Casa do Divino Mestre, através de doações em dinheiro, gêneros alimentícios, materiais de manutenção e trabalho pessoal, uma vez que necessitaremos de profissionais de diversas especialidades na condução das ações desenvolvidas pela Casa. |
Consciência Negra
Dom Demétrio Valentini
Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira até novembro de 2011
Adital
O
dia 20 de novembro é dedicado à "consciência negra”, iniciativa que visa
estimular e fortalecer a consciência da identidade própria racial e cultural
dos negros no Brasil.
A iniciativa já seria válida pelo número de pessoas que se sentem envolvidas nesta questão. Não é fácil ter estatísticas precisas, justamente numa realidade que está em plena mutação, em boa parte, exatamente, pelo processo em andamento, de identificação racial e cultural.
Mas dá para afirmar que, aproximadamente a metade da população brasileira se assume como possuindo componentes importantes ligados à negritude.
Comparando com dados recolhidos nos sensos anteriores, percebe-se claramente que aumentou muito o contingente de brasileiros que se assumem como negros.
Isto demonstra que a iniciativa de promover a "consciência negra” vem dando bons resultados, sobretudo em termos de superação de preconceitos que a população ainda carrega, seja em referência aos negros, seja também de negros que acabam, de alguma maneira, introjetando o preconceito dentro de si próprios.
O fato é que permanece muito difícil a superação de preconceitos longamente implantados ao longo da história, com o apoio da organização econômica e social, que traduzia o preconceito em medidas de opressão e de exclusão social, econômica e cultural.
A dificuldade em remover a carga de preconceitos que pesam sobre a população negra do Brasil, que ainda carrega as consequências do regime de escravidão, justifica as políticas públicas, que visam acelerar o processo de equiparação completa entre todos os cidadãos brasileiros, independente de raça ou de outros critérios.
Entre estas políticas, está o "sistema de quotas”, que visa garantir uma crescente participação de negros nos cursos universitários. Este sistema encontra uma primeira justificativa diante da grande disparidade existente nas universidades, onde a participação de negros é flagrantemente desproporcional.
Alguns ponderam que este sistema, que pretende superar a discriminação, traz em sim mesmo um viés discriminatório, na medida em que reforçaria o que se quer superar, isto é, ter a raça como referência para políticas públicas.
Acontece que a conveniência destas iniciativas tem presente a realidade concreta, constatada pelas estatísticas, de uma disparidade que, se continuada, perenizaria a desigualdade ora existente.
Mas também é verdade, que se pretendemos que estas políticas sejam eficazes, precisamos admitir que devem ser provisórias. Pois em perspectiva, se elas conseguem o efeito pretendido, levarão a uma situação em que o ideal será a perfeita igualdade de oportunidades, que todos poderiam ter, sem a ajuda de quotas ou de outras medidas que podem valer agora, mas carregam consigo a marca da caducidade.
Bom seria se o Brasil pudesse, de fato, dar ao mundo o precioso testemunho de uma sociedade igualitária, em perfeita convivência de raças diferentes, que prescindirão sempre mais de regulamentação legal para se relacionarem no respeito mútuo e no diálogo fraterno.
A iniciativa já seria válida pelo número de pessoas que se sentem envolvidas nesta questão. Não é fácil ter estatísticas precisas, justamente numa realidade que está em plena mutação, em boa parte, exatamente, pelo processo em andamento, de identificação racial e cultural.
Mas dá para afirmar que, aproximadamente a metade da população brasileira se assume como possuindo componentes importantes ligados à negritude.
Comparando com dados recolhidos nos sensos anteriores, percebe-se claramente que aumentou muito o contingente de brasileiros que se assumem como negros.
Isto demonstra que a iniciativa de promover a "consciência negra” vem dando bons resultados, sobretudo em termos de superação de preconceitos que a população ainda carrega, seja em referência aos negros, seja também de negros que acabam, de alguma maneira, introjetando o preconceito dentro de si próprios.
O fato é que permanece muito difícil a superação de preconceitos longamente implantados ao longo da história, com o apoio da organização econômica e social, que traduzia o preconceito em medidas de opressão e de exclusão social, econômica e cultural.
A dificuldade em remover a carga de preconceitos que pesam sobre a população negra do Brasil, que ainda carrega as consequências do regime de escravidão, justifica as políticas públicas, que visam acelerar o processo de equiparação completa entre todos os cidadãos brasileiros, independente de raça ou de outros critérios.
Entre estas políticas, está o "sistema de quotas”, que visa garantir uma crescente participação de negros nos cursos universitários. Este sistema encontra uma primeira justificativa diante da grande disparidade existente nas universidades, onde a participação de negros é flagrantemente desproporcional.
Alguns ponderam que este sistema, que pretende superar a discriminação, traz em sim mesmo um viés discriminatório, na medida em que reforçaria o que se quer superar, isto é, ter a raça como referência para políticas públicas.
Acontece que a conveniência destas iniciativas tem presente a realidade concreta, constatada pelas estatísticas, de uma disparidade que, se continuada, perenizaria a desigualdade ora existente.
Mas também é verdade, que se pretendemos que estas políticas sejam eficazes, precisamos admitir que devem ser provisórias. Pois em perspectiva, se elas conseguem o efeito pretendido, levarão a uma situação em que o ideal será a perfeita igualdade de oportunidades, que todos poderiam ter, sem a ajuda de quotas ou de outras medidas que podem valer agora, mas carregam consigo a marca da caducidade.
Bom seria se o Brasil pudesse, de fato, dar ao mundo o precioso testemunho de uma sociedade igualitária, em perfeita convivência de raças diferentes, que prescindirão sempre mais de regulamentação legal para se relacionarem no respeito mútuo e no diálogo fraterno.
Tolerância e interculturalidade [16 de novembro como o Dia Internacional da Tolerância]
Marcelo Barros
Monge beneditino e escritor
Adital

A ONU consagrou 16 de novembro como o dia internacional da tolerância. Propõe que, nessa semana, em todos os continentes, se façam esforços pelo diálogo e compreensão entre grupos e culturas diferentes. De fato, o mundo atual é cada vez mais pluralista e, a cada momento, através dos meios de comunicação ou da internet ou simplesmente pela convivência na cidade, cada pessoa tem de conviver com outros que vêm de culturas diversas e professam diferentes religiões. Para conviver bem com essa realidade, não basta tolerância. A tolerância evita o confronto e a guerra, mas não chega a criar um ambiente positivo de diálogo e compreensão. Normalmente se tolera aquilo que não se pode evitar. Ninguém quer ser apenas tolerado. As pessoas, grupos e culturas merecem ser respeitados e valorizados. Por isso, é importante deixar claro: a ONU usa o termo tolerância no sentido mais positivo de uma aceitação de respeito e convivência pacífica. Com esse sentido, a partir da segunda guerra mundial, o termo passou a ser usado no diálogo intercultural e inter-religioso. Isso era importante porque, no campo das religiões, durante a maior parte do tempo, houve mais intolerância do que amor, mais discriminação do que a disponibilidade de ver Deus presente e atuante nas outras religiões. Até hoje, ainda ocorrem casos de discriminação e violência baseados na fé. Por isso, a tolerância, como princípio e caminho, é um primeiro passo positivo e fecundo.
No Brasil, há um ano, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria da Presidência da República para os Direitos Humanos, instituiu a Comissão Nacional da Diversidade Religiosa, para atuar em todos os casos, nos quais o desrespeito aos direitos humanos vem de preconceitos e discriminação a cultos e a grupos religiosos. Para que esse tipo de iniciativa chegue às bases, em diversos estados, têm se criado fóruns permanentes de diálogo intercultural e inter-religioso. Nessa segunda feira, 12, na Assembleia Legislativa de Pernambuco foi instituído o Fórum Pernambucano de Diálogos do qual participam representantes da Igreja Católica, de várias Igrejas evangélicas, do Judaísmo, Islã, Candomblé, Umbanda e outros grupos religiosos.
A instituição de comissões como essa ajuda muito não só a promover a lei como a criar uma cultura de diálogo e interculturalidade. A lei pode impedir a discriminação e a injustiça, mas não pode obrigar ninguém a amar o diferente e a valorizar uma cultura que não é a sua. Isso supõe uma opção "espiritual”, ou seja, abertura amorosa ao diferente, como opção de vida. De fato, as religiões foram criadas para ensinar as pessoas a amar e a fazer do amor uma lente especial com a qual se olha a vida, as pessoas e as culturas. Entretanto, quando se deixam aprisionar pelo autoritarismo e pelo dogmatismo, as religiões se tornam fonte de intransigência, intolerância e violência. Na história, todas as religiões, de um modo ou de outro, tiveram momentos de intolerância e combateram-se entre si. Ao preparar o ano 2000, em nome da Igreja Católica, o papa João Paulo II pediu perdão à humanidade pelas Cruzadas, Inquisições e outros erros que os cristãos cometeram no passado. O reconhecimento do erro e o pedido de perdão são importantes, mas não levam a nada se a Igreja não se converte sempre e cada vez mais ao universalismo do Espírito Divino e não toma uma atitude positiva de companheirismo e amor com os outros grupos religiosos.
Hoje, o Brasil é um país leigo, mas ainda dominado por uma cultura de Cristandade. Os feriados religiosos são em geral católicos. Os símbolos mais aceitos são os da Igreja. Pelo modo como na história, a Igreja se impôs, ela tem uma dívida histórica e moral para com toda a humanidade, mas especialmente com as religiões indígenas e negras. Deve dar o exemplo de abertura ao diálogo e à convivência intercultural e inter-religiosa. Nessa semana, a própria ONU convida a que Igrejas, religiões e organismos da sociedade civil possam unir-se na construção de uma sociedade pluralista e, como dizia um pai da Igreja do século III, "aberta a tudo o que é humano”. Essa atitude testemunha para os outros o amor divino e nos confirma a todos no caminho do evangelho de Jesus Cristo que afirmou: "Muitos virão do Oriente e do Ocidente e se sentarão à mesa do reino de Deus” (Mt 8, 11). E também: "Quem não é contra nós, está do nosso lado” (Mc 9, 40).
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